mar
12
A árvore dos problemas

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Eu contratei um carpinteiro para me ajudar a restaurar uma velha casa de fazenda. Ele teve um dia de trabalho muito pesado. Um pneu furado fez com que ele perdesse uma hora de trabalho, sua serra elétrica pifou e, no fim do dia, o motor de sua velha camionete se recusou a funcionar. Ele permaneceu totalmente em silêncio, enquanto eu lhe dava uma carona até sua casa. Ao chegarmos, ele me convidou para conhecer sua família. Quando nos dirigíamos para a entrada da casa ele parou frente a uma pequena árvore e tocou as pontas de alguns galhos com ambas as mãos. Assim que a porta abriu, ele mudou seu semblante totalmente. Sorrindo ele abraçou com alegria seus dois filhos pequenos e beijou sua esposa. Quando ele me acompanhava até o carro, eu não resisti e perguntei qual o significado do que ele tinha feito quando passamos pela árvore antes de entrar em casa. “Oh, esta é a minha árvore dos problemas”, ele respondeu. “Eu sei que não há como evitar alguns problemas no trabalho, mas de uma coisa estou certo, problemas não devem entrar em minha casa, onde estão minha esposa e filhos. Então, eu simplesmente penduro os problemas na árvore antes de entrar em casa. De manhã eu os pego de volta” Ele sorriu e disse: “Uma coisa engraçada, quando eu os pego de manhã, eles são menos numerosos e menos graves do que eram quando eu os pendurei na noite anterior”.

Autor Desconhecido

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mar
10
A caixa de brinquedos

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A idéia de que o corpo carrega duas caixas, uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda, ela me apareceu enquanto me dedicava a mastigar, ruminar e digerir Santo Agostinho. Como vocês devem saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros se pode dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: “Isso é o meu corpo; isso é a minha carne”. Ele não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso. Pois ele, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do “uti” ( ele escrevia em Latim ) e a ordem do “frui”. “Uti” = o que é útil, utilizável, utensílio. Usar uma coisa é utilizá-la para se obter uma outra coisa. “Frui” = fruir, usufruir, desfrutar, amar uma coisa por causa dela mesma. A ordem do “uti” é o lugar do poder.Todos os utensílios, ferramentas, são inventados para aumentar o poder do corpo. A ordem do “frui”, ao contrário, é a ordem do amor – coisas que não são utilizadas, que não são ferramentas, que não servem para nada. Elas não são úteis; são inúteis. Porque não são para serem usadas mas para serem gozadas. Aí vocês me perguntam: quem seria tolo de gastar tempo com coisas que não servem para nada, que são inúteis? Aquilo que não tem utilidade é jogado no lixo: lâmpada queimada, tubo de pasta dental vazio, caneta bic sem tinta… Faz tempo preguei uma peça num grupo de cidadãos da terceira idade. Velhos aposentados. Inúteis. Comecei a minha fala solenemente. “Então os senhores e as senhoras finalmente chegaram à idade em que são totalmente inúteis…” Foi um pandemônio. Ficaram bravos. Me interromperam. E trataram de apresentar as provas de que ainda eram úteis. Da sua utilidade dependia o sentido de suas vidas. Minha provocação dera o resultado que eu esperava. Comecei, então, mansamente, a argumentar. “Então vocês encontram sentido para suas vidas na sua utilidade. Vocês são ferramentas. Não serão jogados no lixo. Vassouras, mesmo velhas, são úteis. Já uma música do Tom Jobim é inútil. Não há o que se fazer com ela. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que se parecem mais com as vassouras que com a música do Tom… Papel higiênico é muito útil. Não é preciso explicar. Mas um poema da Cecília Meireles é inútil. Não é ferramenta. Não há o que fazer com ele. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que preferem a companhia do papel higiênico à companhia do poema da Cecília…” E assim fui, acrescentando exemplos. De repente os seus rostos se modificaram e compreenderam… A vida não se justifica pela utilidade. Ela se justifica pelo prazer e pela alegria – moradores da ordem da fruição. Por isso que Oswald de Andrade, no “Manifesto Antropofágico”, repetiu várias vezes “a alegria é a prova dos nove, a alegria é a prova dos nove…” E foi precisamente isso que disse Santo Agostinho. As coisas da caixa de ferramentas, do poder, são meios de vida, necessários para a sobrevivência. (Saúde é uma das coisas que moram na caixa de ferramentas. Saúde é poder. Mas há muitas pessoas que gozam perfeita saúde física e, a despeito disso, se matam de tédio.) As ferramentas não nos dão razões para viver. Elas só servem como chaves para abrir a caixa dos brinquedos. Santo Agostinho não usou a palavra “brinquedo”. Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez, bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: não levam a nada. Não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos? O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, play. No alemão, spielen. Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são todas brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa. Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente não há avaliações de múltipla escolha para se medir alegria…

Autor: Rubem Alves

Crédito da Imagem: ruthescobar

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mar
7
Nossas relações

Vocês já pararam para pensar… como nossos relacionamentos  estão mudando?? E em muitos os casos não percebemos!

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mar
6
Conversa com Empresários

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Por Rubem Alves

A filosofia das empresas passou por três fases. A primeira é representada pelo filme Tempos Modernos, de Chaplin – em que a única coisa que interessava às empresas era o lucro: nenhuma preocupação com a vida dos empregados, que eram tratados como engrenagens de uma máquina; nenhuma preocupação com o meio ambiente, que podia ser degradado impunemente. É a empresa “máquina”.

A segunda fase está descrita no livro The Organization-Man, de Whyte Jr. – em que a empresa descobre a importância de que seus empregados se sintam bem dentro dela. Fazem-se todos os esforços no sentido de que eles tenham relações harmoniosas entre si e se identifiquem afetivamente com os interesses da empresa. A empresa deve ser o mundo do empregado e a imaginação do empregado deve estar restrita ao mundo da empresa. É a empresa “família”, auto-suficiente e fechada em si mesma.

A terceira fase, que é a que estamos vivendo no momento, se caracteriza por uma revolução de valores. Se, na primeira e na segunda fases a empresa olhava para o mundo exterior apenas como “mercado”, isto é, lugar do lucro, agora ela olha para o mundo exterior como um espaço de vida de que é preciso cuidar. Às relações comerciais agrega-se agora uma dimensão ética: o cuidado com o meio ambiente, a cultura, a educação, o bem-estar, não só dos empregados mas de toda a comunidade que a cerca.

A empresa se descobre como companheira, junto com outros homens, de um espaço comum que deve ser objeto de cuidado, pois o que está em jogo é a qualidade de vida. É a empresa “cuidadora” ou, se quiserem, numa linguagem poética, empresa “jardineira”… Gosto da imagem da jardinagem como metáfora para essa relação de cuidado com o meio ambiente e com as relações entre as pessoas. Isso quer dizer que, ao lado do motivo financeiro “lucro” as empresas estão trabalhando sob motivos éticos.

Penso que os empresários, como “regentes de orquestra”, poderiam pensar um programa educativo para os seus “músicos” em três movimentos:

Primeiro movimento: “A empresa: lugar bom de se viver”.

Segundo movimento: “A empresa: lugar bom de se pensar…”

Terceiro movimento: “A empresa: cuidadora do mundo”

Fonte: A Casa de Rubem Alves

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fev
28
A Verdade e a Parábola

Por Francisco Renaldo

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Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

 E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

 Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

 Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

 — Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

 — Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.

 — Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

(Conto Judaico)

Um comentário: As palavras transformam vidas. O ser humano no decorrer de sua história sempre procurou dar conta da realidade, somos assim, queremos o mundo em que vivemos bem organizado, seja dentro ou fora de nós.  Parábolas pertencem ao   imaginário, residem precisamente onde precisam estar! A Verdade e a Parábola é útil ( se é que precisa ser)  em nossas reuniões corporativas, sala de aula e quem sabe até familiar, pois trata-se de valores e, este deve marcar presença na vida do ser humano como num todo, “pois os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada.”

 

 

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fev
27
Desiderata, um fragmento sobre a felicidade!

DESIDERATA – Do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja, aspiração.

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Siga placidamente por entre o ruído e a prece e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.

Mantenha boas relações com todas as pessoas que possível, mas sem abdicar da sua personalidade.

Fale a sua verdade clara e serenamente; e ouça os demais, mesmo os tolos e os ignorantes que, também eles têm a sua história.

EVITE AS PESSOAS AGRESSIVAS E GRITANTES, QUE SÃO UM PESO PARA O ESPÍRITO.

 Se você se comparar com os outros, você tornar-se-á presunçoso ou deprimido pois sempre existiram pessoas melhores ou piores do que você.

Vibre com as suas realizações e também com os seus planos.

Tenha interesse na sua profissão não importa quão humilde: ela é um património concreto sensível às mudanças de fortuna que o tempo traz.

 Seja cauteloso nos seus negócios, pois o mundo está cheio de malícia.

Seja você mesmo. PRINCIPALMENTE NÃO SEJA FINGIDO EM MATÉRIA DE AFEIÇÃO.

 Nem seja cínico em relação ao amor, pois mesmo em face de toda a aridez e todo o desencontro ele é eterno como a vida.

Acumule vontade com o passar dos anos despindo-se com serenidade das coisas da juventude.

Acumule fortaleza de espírito para defender-se das infelicidades súbitas mas não se desgaste com frutos da imaginação.

 Muitos temores nascem da solidão e do cansaço.

 Além de uma disciplina integral seja gentil com você mesmo.

Você é um filho do Universo, como as árvores ou as estrelas, é um direito seu estar aqui, e pareça-lhe ou não evidente, o Universo, sem nenhuma dúvida, está evoluindo conforme deveria.

 Portanto, esteja em paz com Deus, quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações, mantenha-se em paz com a sua alma, em meio ao tumulto da vida.

Com toda a falsidade, tédio e sonhos despedaçados, ainda assim o mundo é belo.

 Seja cuidadoso. Procure ser feliz.

Manuscrito encontrado na velha igreja de São Paulo em Beltimore, datado de 1692.

Obrigado, Márcia  pela gentileza de autorizar a publicação desse escrito  que nos surpreende e muito no contexto atual!

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fev
26
Salariômetro

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Esta é uma boa idéia do Governo do Estado de São Paulo. Se você quer  saber o salário médio de admissão de algum cargo que  está procurando, é só  preencher o formulário do site e ele lhe dá o salario médio conforme o perfil (masculino, feminino…) e região.

 O Salariômetro ( Termômetro Nacional do Emprego) calculará o salário médio dos admitidos nos últimos seis meses no mercado de trabalho formal, com carteira assinada. Boa ferramenta  para procurar emprego, ou até mesmo para servir de parâmetro para iniciar uma nova carreira, mas lembre-se, o sucesso profissional é exclusivamente pessoal!

O serviço é gratuito.

Então comece a sua pesquisa :    http://www.salariometro.sp.gov.br/

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fev
21
Líderes Filósofos e “o destino reside no caráter”

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Dov Seidman ,o guru da virtude empresarial acredita que a filosofia deve ser disciplina obrigatória nos negócios e que as empresas deverão ter um “ginásio ético”, no qual se devem exercitar todos os dias. Chama-se Dov Seidman, cresceu em Israel, vive na Califórnia, estudou Filosofia e Direito e é fundador da LRN. A história de alguém que acredita que é a ética que pode mudar o mundo…

De acordo com Seidman, e no meio de crises climáticas e financeiras, hábitos de consumo globais e outros desafios magistrais que caracterizam o século XXI, é necessário encontrar uma nova “killer app”. E, para o consultor, a resposta está na filosofia.

Na rubrica mensal que assina na revista BusinessWeek, Seidman afirma que a filosofia nos ajuda a abordar, literalmente, os desafios existenciais com os quais o mundo da actualidade se confronta, especialmente nos cenários empresariais.

Os filósofos, como é sabido, exploram as mais profundas e vastas questões da vida – por que existimos, de que forma é que a sociedade se deve organizar, como é que as instituições se devem relacionar com esta e o propósito da iniciativa humana. E Seidman cita o livro de Adam Smith, “A Riqueza das Nações”, que serve como a plataforma intelectual para o capitalismo e que lança os fundamentos para a organização dos mercados e para a forma como as pessoas se devem comportar nesses mesmos mercados. Sublinhando o facto de que Adam Smith não era um economista, mas um filósofo – que, na altura em que escreveu a famosa obra, era presidente do Departamento de Filosofia Moral na Universidade de Glasgow – Seidman relembra que o trabalho de Smith, tal como o de outros filósofos, tentava criar uma nova estrutura de compreensão do mundo, abordando a forma como nós, enquanto humanos, procuramos um alinhamento nos nossos relacionamentos e também entre interesses concorrentes.

Para Seidman, a abordagem filosófica de Adam Smith é cada vez mais relevante à luz das crises enfrentadas pelas nossas organizações e países. É que, de acordo com a sua visão, as crises que afectam o crédito, o clima ou o consumo já não podem ser resolvidas somente através de competências especializadas. Ou seja, a interdependência existente entre todas estas questões dá origem a que todas elas se influenciem entre si e, tal como a abordagem filosófica faz, a ideia é ligar todos os pontos existentes entre os interesses em conflito numa tentativa de criar sinergias fortes entre os mesmos. E relacionar estes interesses opostos exige um olhar filosófico que os especialistas da actualidade ignoram vezes demais: e que reside nas crenças principais de cada um, na ética e no carácter.

Tal como os filósofos, tanto os indivíduos como as organizações precisam de manter vivos e em acção os valores, a ética, o carácter e toda a condição humana que os define em todas as alturas em que é necessário tomar decisões. E Seidman cita o filósofo grego Heraclito que, há mais de 2500 anos já afirmava que “o carácter é o destino”.

Para o consultor, a boa notícia é que são muitas as empresas que já estão a colocar em prática esta filosofia, criando um conceito de alinhamento em termos de visão do mundo, seja com um colega, com um parceiro de negócio ou com qualquer outro stakeholder. Estas organizações promovem já a noção de que a sua missão se estende para além do lucro, procurando novas estruturas – seja em que sector de actividade for – para melhorar a sua existência e a dos que as rodeiam. “No nosso mundo ligado e transparente, no qual qualquer pessoa pode facilmente ter acesso às nossas operações, tornou-se já claro que as empresas, e até as nações, têm carácter – e que o seu carácter é o seu destino”, sublinha.
No trabalho que mantém com as grandes empresas, Seidman afirma que as questões da integridade, da verdade e da transparência estão a ser cada vez mais consideradas como uma prioridade. Ao longo dos tempos, as empresas e os líderes sempre se esforçaram por passar uma mensagem que defendesse algum tipo de valores. Contudo, nos anos 80 e 90, se recordarmos as declarações dos grandes líderes de negócios, todas as suas preocupações sobre os valores que pretendiam transmitir eram de ordem prática: a excelência, a qualidade, o serviço ou a eficiência dos custos.

De acordo com o especialista, estamos a assistir, neste século XXI, a uma mudança significativa desses “valores”: cada vez mais a integridade e a confiança são os verdadeiros valores apregoados pelas empresas e da ordem prática das coisas passou-se para a ordem social, ambiental e, mais recentemente, humanista. Seidman dá alguns exemplos práticos desta viragem: a Dow Chemical paassou a ser a “empresa do elemento humano”, a Chevron “a companhia da energia humana” enquanto que a Toyota está a “humanizar os transportes”.
Esperemos é que, tal como a filosofia, esta mudança não sirva apenas para ser considerada como uma bonita teoria, mas antes como uma (boa) prática.

Leia o restante do artigo no Portal  Ver, valores, ética e Responsabilidade

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fev
21
Fábula da convivência

Por Francisco Renaldo

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Há milhões de anos, durante uma era glacial, quando parte de nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo, muitos animais, não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições. Foi, então, que uma grande quantidade de porcos-espinho, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começaram a se unir, juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam uns aos outros, aqueciam-se mutuamente, enfrentando por mais tempo aquele frio rigoroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito… Mas essa não foi a melhor solução! Afastados, separados, logo começaram a morrer de frio, congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com cuidado, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros. Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram.

É fácil trocar palavras, difícil é interpretar o silêncio!

É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar!

 É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor!

É fácil conviver com pessoas, difícil é formar uma equipe!

 (Autor desconhecido)

*Um comentário: Penso que não dá mais para imaginarmos o ser  humano como um predador, lutando sozinho… olhando apenas para si mesmo, com uma certa dose de egoísmo, temos a necessidade de re-pensarmos nossas atitudes. Niguém é feliz sozinho… sucesso não ocorre por acaso, sempre trazemos alguém conosco. É como a carreira profissional, crescemos quando levamos em consideração o outro. Está na hora de re-educarmos nossas atitudes… educar para a sensibilidade. Uma educação que nos mostre que além de nós existe o outro com quem aprendemos a ser o que somos!

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fev
20
Filosofia e Séries de TV

Professor de filosofia do que seria, na França, o ensino médio, Thibaut de Saint Maurice percebeu, numa tarde cinzenta de inverno, que as explicações sobre o “raciocínio experimental” eram incapazes de alterar, minimamente que fosse, o olhar de seus alunos. Estavam todos alheios ao que dizia. Foi então que, tal e qual reviravolta num roteiro, ele lembrou-se do doutor House, o médico que dá nome a uma das séries mais vistas no mundo.

“Ao escrever no quadro-negro, para ninguém, lembrei do House tentando explicar aos colegas, no hospital, a pertinência de suas hipóteses”, diz. “Perguntei aos alunos se conheciam o House. Até os que olhavam pela janela se voltaram para mim. Começamos a falar sobre a descoberta dos diagnósticos pelo personagem e, então, toda aquela história de ‘diálogo entre razão e experimento’ ganhou sentido.”

Nascia assim “Philosophie en Séries” (”Filosofia em Séries”), publicado na França, sem tradução no Brasil. Se são muitos os subprodutos que as séries procriam, poucos são os que se mostram tão inventivos e, digamos, filosóficos.

“A riqueza das séries é inexplorada”, diz o autor, em entrevista à Folha. “Todas juntas, são um formidável espelho da vida contemporânea e constituem um grande reservatório de experiências e de situações com as quais muita gente se identifica.” Por isso, sentado em frente à TV, Maurice resolveu filosofar e, de posse de um livro de Kant, acabou por pensar em Jack Bauer, “antikantiano” por excelência.

O autor está convicto de que séries como “Nip/Tuck”, “A Sete Palmos” e “Dexter”, diversão à parte, giram em torno de questionamentos sobre os valores sociais e a maneira de se ver o mundo. A obsessão estética, a morte e o senso de justiça numa sociedade que se sente refém da violência são, na visão de Maurice, o estofo desses programas.

Jack Bauer, por sua vez, seria o típico herói pós-moderno. “Seu heroísmo não repousa sobre uma virtude essencial, uma fé religiosa ou sobre valores universais. Seu heroísmo é o da eficácia. Sua moral é a utilitarista. A violência que ele pratica é vista como um preço a ser pago em nome da eficácia.”

Já House encarnaria a figura moderna de um Sócrates obcecado pela busca pela verdade. “O sucesso da figura de House é extremamente revelador de uma sociedade que não se importa mais com a verdade”, diz, dialético.

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Fonte: Da Folha On Line -Ilustrada – 14/02/201007h47

Por  ANA PAULA SOUSA da Folha de S.Paulo

O Livro: PHILOSOPHIE EN SÉRIES
Autor: Thibaut de Saint Maurice
Editora: Ellipses (176 págs.; importado)
Quanto: 11,88 euros (cerca de R$ 30 mais taxas em www.amazon.fr)

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