Karl Marx (1818-1883)
• Filósofo de ação.
• Revolucionou nosso modo de pensar com relação à sociedade.
• História como “luta de classes”.
Karl Marx é o filósofo com uma missão. Quando pensamos em Karl Marx, pensamos em revolução, poder e sofrimento humano. A imagem de um elitista acadêmico, zumbindo sobre coisas absolutamente irrelevantes, não vem à mente quando pensamos em Marx. Pensamos em um homem cuja filosofia tinha sido posta em ação, e cuja relevância permanece até hoje.
Marx é o terceiro a vir a este mundo de uma família de nove filhos em Trier, Alemanha. Seus pais eram de descendência judaica, mas eles se haviam convertido ao Protestantismo para proteger o emprego do seu pai como advogado do governo. Marx, o filósofo atípico, não era um estudante modelo. Gastava a maior parte de seu tempo bebendo, enquanto estava na Universidade de Bonn. Ele acabou com esse costume e começou a concentrar-se nos estudos, finalmente chegando ao doutorado em Filosofia na Universidade de Jena.
Sua política esquerdista dificultou-lhe a obtenção de um emprego como professor. Mudou-se para Cologne, onde se tornou editor de jornal de muito sucesso; depois foi para Paris, onde se uniu a outros socialistas da época. Lá encontrou seu amigo de longa data, colaborador e patrocinador, Frederick Engels. Marx finalmente se mudou para Londres, onde se esforçou para ganhar a vida devido à sua pobre condição financeira. Posteriormente, quando já estava mais estabilizado, sofreu, entretanto, com bolhas por todo corpo, tratando-as em vão com arsênico e ópio. Ele morreu de bronquite em 1883.
A grande ideia de Marx: estamos vivendo em um mundo material
Como Hegel, Marx pensava que a história deveria ser um processo dial ético. Entretanto, de acordo com Marx, esse processo não era guiado por um Espírito Absoluto, mas pelas forças económicas e pelas lutas de classes da humanidade. Marx é um materialista – assim como Aristóteles colocou abaixo as formas platônicas do céu e as colocou nas próprias coisas, Marx toma a dialética histórica de Hegel e a põe abaixo no mundo material.
Marx afirma que fora do conflito entre a classe mais alta e a classe mais baixa surge um novo sistema econômico e uma nova classe: a burguesia. Os proprietários capitalistas exploravam e alienavam o proletariado (classe de trabalho), provocando então o que Marx considera o conflito final de classes.
A alienação dos trabalhadores no período industrial devia-se à natureza do próprio labor, de acordo com Marx. Os trabalhadores não tinham ligação com o produto (em oposição aos fazendeiros e camponeses, que tinham uma conexão com a terra em que trabalhavam). Além disso, os interesses de uma das classes sempre contradizem os interesses de outra. Essa intensificação da dialética, de acordo com Marx, era urna indicação do que era a batalha final.
Marx é geralmente mal-interpretado como pensador político que propôs o comunismo como “a sociedade ideal”. É verdade que Marx acreditava que o comunismo, uma sociedade sem classes, sem propriedade privada, seria uma sociedade melhor. Mas sua alegação era mais forte que essa. Marx afirmava que era historicamente inevitável que o capitalismo destruísse a si mesmo e que o proletariado aumentaria. Além disso, em sua visão dialética, cada período de história era necessário e inevitável, mesmo o sistema capitalista de que ele não gostava.
O capitalismo forneceu os meios e o método para o crescimento da quantidade da produção. Era uma fase necessária, porque seu oposto completo, o comunismo, poderia surgir, e esta riqueza e capacidade produtiva poderiam ser igualmente distribuídas e apropriadas publicamente. Marx diz que o Estado comunista seria o oposto do capitalista, um oposto que ele achava que seria a época final da dialética histórica, uma época final que beneficiaria toda a humanidade.
A contribuição que Marx faz ao pensamento filosófico é que, enquanto outros filósofos e historiadores tinham daí em diante olhado para a filosofia, religião e literatura passada para entender a sociedade, Marx considerou que a base da organização social eram as forças econômicas de troca, distribuição e consumo. O legado de seu pensamento está hoje em todo lugar, como muitos pensadores modernos olham para essas forças para explicar o passado, o presente, assim como as estruturas econômicas alternativas que podem melhorar nossas vidas.
Adaptado do livro Filosofia de Banheiro. Autor: Gregory Bergman. Editora Madras.
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16.05.10
às 19:44

