Ontem, meu filho, você tinha cheiro de bebê.
Eu segurava você com força em meus braços com medo de deixá-lo cair.
Mas na verdade o que eu queria era fazer com que o seu cheiro pegasse e mim.
Às vezes você cheirava a coco ou xixi…
Aí, confesso que procurava ficar bem longe até sua mãe contornar a situação.
Nesse tempo, seu beijo e seu abraço tinham sabor de brincadeira de criança. E nós brincávamos sem perceber que o tempo passava.
Hoje, meu filho, você tem cheiro de perfume metido a “francês”. Conheço esse cheiro
de longe, pois era o mesmo que eu usava quando namorava sua mãe. Seu cheiro é também
um misto de gel de cabelo com cera de sapato.
Você está crescendo, filhão! E pena que está esquecendo dos sabores da vida…
Você não me abraça mais, não me beija mais… Percebo que o sabor da nossa relação está meio insosso. E amanhã, filho?
Imagino que você terá o cheiro do primeiro emprego, cheiro de dinheiro novo no bolso.
(Cheiro de cigarro e álcool nem pensar, hein!)
Mas cheiro de esperança, sim…
Esperança que você volte a me beijar e abraçar, que volte a ter cheiro de bebê, que nossa vida volte a ter sabor de brincadeira de criança, porque levar a vida muito a sério não vale a pena, meu filho!
Fonte: VIGANO, Joel Vando (Educador e contador de histórias). Projeto Oficina do Saber Nova Esperança. Florianópolis: A notícia, Joinville, ano 3, n. 27, out. 2004. p. 4. (Adaptado).
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15.09.10
às 19:09


