Por Francisco Renaldo Costa
O mito, entre as sociedades tribais é uma forma do ser humano se situar no mundo, isto é, encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão, e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só se explicam parte dos fenômenos naturais, mas também, dão as diretrizes da ação humana. Devemos salientar, entretanto, que, não sendo teórica, a verdade do mito não obedece a lógica nem a verdade empírica ou a científica. É uma verdade intuída, que não necessita de provas para ser aceita. Por essa razão, quando existem várias versões do mesmo mito, nós não devemos preocupar.
O mito nasce do desejo de entender o mundo, para afugentar o medo e a insegurança. O ser humano, à mercê das forças naturais, que são assustadoras, passa a emprestar-lhes qualidades emocionais. As coisas não são mais matéria morta, nem são independentes do sujeito que as percebe. Ao contrário sempre estão impregnadas de qualidades e são boas ou más, amigas ou inimigas, familiares ou sobrenaturais e atraentes ou ameaçadoras.
O pensamento mítico está ligado à magia, ao desejo, ao querer que as coisas aconteçam de um determinado modo. A partir disso que se desenvolvem os rituais como meio de propiciar os acontecimentos desejados. O ritual é o mito tornado ação.
O mito é uma primeira fala sobre o mundo, uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre a qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel, e cuja função principal não é explicar a realidade, mas acomodar o ser humano no mundo.
O mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do amor, do poder, etec ).
Para os gregos, o mito é um discurso pronunciado ou proferido para os ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam em quem narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador.
Mas, quem narra o mito?
Quem narra o mito é o poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que têm autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra – o mito - é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável.
Para pensar melhor…
É verdadeiro afirmar que o mito não obedece a lógica?
Por que podemos dizer que o mito é uma verdade intuída?
Por que existem várias versões de um mesmo mito?
Explique por que o mito nasce do desejo de entender o mundo.
Defina o que é um mito.
Quem narra o mito?
Na verdade o que o mito procura explicar?
Por que podemos dizer que o mito é inquestionável e incontestável?
Fonte: Adaptado do Livro – Temas de Filosofia (Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins), Ed Moderna
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20.04.13
às 23:01












