mai
12
O senso comum e a ciência – Parte II

Por Francisco Renaldo da Costa

Espanto e admiração com algo que nós não havíamos visto antes.Surge observação(esta não resolve).Porém, quando começamos a imaginar o problema veremos que temos a solução para chegarmos novamente à ordem desejada.Por meio da imaginação chegamos à ordem das coisas, ordem essa que está oculta.

O que é o conhecimento, tão almejado pelos cientistas e pelo senso comum?Já dissemos. A partir de Rubem Alves, descobrimos o que o conhecimento apenas acontece em situações problemáticas. O “velho” não nos surpreende, já o “novo”, este muitas vezes nos desajusta, não estamos acostumados com ele, então é o “novo” que possibilita-nos a pensar. E para chegarmos à solução do problema devemos pensar sempre a partir do fim. Essa é a dinâmica do conhecimento. E é com a imaginação que somos capazes de pensar no fim. “É o sair de onde se está, para se chegar aonde devemos chegar”. Este é o caminho a ser percorrido mediante os problemas. Não basta vermos, temos que , temos que procurar organizar o desorganizado.E só organizo se eu tenho a imagem da ordem na minha mente.Então mais uma vez teremos que concordar que tanto o cientista como o feiticeiro, para resolverem seus “problemas” cada um do seu jeito, usam a previsão.

O ser humano traz dentro de si uma busca desenfreada da ordem. Estaremos sempre procurando harmonizarmos com tudo o que nos cerca: trabalho, natureza, família, namorado, amigos, enfim, tudo o quanto necessitamos para sobreviver.A ordem está intríseca ao ser humano. Biologicamente somos formados assim.

Podemos defrontar-nos com uma outra questão. A visão de ordem do cientista é diferente da visão do senso comum. Por que? Veladamente até agora foi-nos colocado que “algo”move a ordem.Esse algo é o desejo. Somos seres desejantes. Desejamos tudo…basta pensarmos na nossa experiência diária. Contudo o desejo, elemento essencial para nossa sobrevivência pode colocar-nos em situações boas e más. É por isso que a ciência procura tirar o desejo de suas investigações. Na verdade o desejo jamais impediu o conhecimento, ao contrário, ele é mola propulsora para o conhecimento objetivo.

Reflexão a partir do Livro Filosofia da Ciência/Rubem Alves

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fev
17
O Senso Comum

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Crédito da Charge: Normalidade I - Quino  e site Só Filosofia

Senso comum

             “Chamamos senso comum ao conhecimento adquirido por tradição, herdado dos antepassados e ao qual acrescentamos os resultados da experiência vivida na coletividade a que pertencemos. Trata-se de um conjunto de idéias que nos permite interpretar a realidade, bem como um corpo de valores que nos ajuda a avaliar, julgar e portanto agir.

            O senso comum não é refletido e se encontra misturado a crenças e preconceitos. É um conhecimento ingênuo, fragmentário e conservador. Com isso não queremos desmerecer a forma de pensar do homem comum, mas apenas enfatizar que o primeiro estágio de conhecimento precisa ser superado em direção a abordagem crítica e coerente, características estas que não precisam ser necessariamente atributos  de formas mais requintadas de conhecer, tais como a ciência ou a filosofia. Em outras palavras, o senso comum precisa ser transformado em bom senso, este entendimento como a elaboração coerente do saber e como explicação das intenções conscientes dos indivíduos livres.

             Qualquer pessoa, não sendo vítima de doutrinação e dominação, e se for estimulada na capacidade de compreender e criticar, torna-se capaz de juízos sábios.”

 Texto baseado no Livro Convite a Filosofia de Marilena Chauí

*P.S.: O senso comum de todo não é ruim. É a primeira forma que vemos o mundo, sem as explicações científicas e atitude crítica. Acredito que o senso comum é a base do conhecimento. Concordo com Rubem Alvez quando ele afirma em A Filosofia da Ciência que a ciência virou um mito, ou seja, inquestionável, e como sabemos todo mito é perigoso, pois impede o pensamento e constrói comportamentos. O que é o senso comum nesta perspectiva? Nada mais é do que a ciência refinada.  A aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum.

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fev
16
Para onde ir?

seso comum

Fonte: Normalidade II - Quino e site Só Filosofia

“Quem não sabe encontrar o caminho ideal vive para ’seu’ de um modo mais leviano e insolente que um homem sem ideal.” Nietzsche

“Gato, qual o caminho correto? … Para quem não sabe onde quer ir, então qualquer caminho serve! “ (Lewis Carroll).

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dez
30
O valor do pensar crítico

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“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”

Bertold Brecht

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ago
23
O senso comum
Texto: Marilena Chauí

O Sol é menor do que a Terra. Quem duvidará disso se, diariamente, vemos um pequeno círculo avermelhado percorrer o céu, indo de leste para oeste? O Sol se move em torno da Terra, que permanece imóvel. Quem duvidará disso, se diariamente vemos o Sol nascer, percorrer o céu e se pôr? Cada gênero e espécie de animal já surgiram tais como os conhecemos. Alguém poderia imaginar um peixe tornar-se réptil ou um pássaro? Para os que são religiosos, os livros sagrados não ensinam que a divindade criou de uma só vez
todos os animais, num só dia? A família é uma realidade natural criada pela Natureza para garantir a sobrevivência humana e para atender à afetividade natural dos humanos, que sentem a necessidade de viver juntos. Quem duvidará disso, se vemos, no mundo inteiro, no passado e no presente, a família existindo naturalmente e sendo a célula primeira da sociedade?

Certezas como essas formam nossa vida e o senso comum de nossa sociedade, transmitido de geração em geração, e, muitas vezes, transformando-se em crença religiosa, em doutrina inquestionável. A astronomia, porém, demonstra que o Sol é muitas vezes maior do que a Terra e, desde Copérnico, que é a Terra que se move em torno dele. A biologia demonstra que os gêneros e as espécies de animais se formaram lentamente, no curso de milhões de anos, a partir de modificações de microorganismos extremamente simples.

Historiadores e antropólogos mostram que o que entendemos por família (pai, mãe, filhos; esposa, marido, irmãos) é uma instituição social recentíssima – data do século XV – e própria da Europa ocidental, não existindo na Antiguidade, nem nas sociedades africanas, asiáticas e americanas pré-colombianas. Mostram também que não é um fato natural, mas uma criação sociocultural, exigida por condições históricas determinadas.

Ao que parece, há uma grande diferença entre nossas certezas cotidianas e o conhecimento científico. Como e por que ela existe? Características do senso comum Um breve exame de nossos saberes cotidianos e do senso comum de nossa sociedade revela que possuem algumas características que lhes são próprias:

1. são subjetivos, isto é, exprimem sentimentos e opiniões individuais e de grupos, variando de uma pessoa para outra, ou de um grupo para outro, dependendo das condições em que vivemos. Assim, por exemplo, se eu for artista, verei a beleza da árvore; se eu for marceneira, a qualidade da madeira; se estiver passeando sob o Sol, a sombra para descansar; se for bóia-fria, os frutos que devo colher para ganhar o meu dia. Se eu for hindu, uma vaca será sagrada para mim; se for dona de um frigorífico, estarei interessada na qualidade e na quantidade de carne que poderei vender;

2. são qualitativos, isto é, as coisas são julgadas por nós como grandes ou pequenas, doces ou azedas, pesadas ou leves, novas ou velhas, belas ou feias, quentes ou frias, úteis ou inúteis, desejáveis ou indesejáveis, coloridas ou sem cor, com sabor, odor, próximas ou distantes, etc.;

3. são generalizadores, pois tendem a reunir numa só opinião ou numa só idéia coisas e fatos julgados semelhantes: falamos dos animais, das plantas, dos seres humanos, dos astros, dos gatos, das mulheres, das crianças, das esculturas, das pinturas, das bebidas, dos remédios, etc.;

4. em decorrência das generalizações, tendem a estabelecer relações de causa e efeito entre as coisas ou entre os fatos: “onde há fumaça, há fogo”; “quem tudo quer, tudo perde”; “dize-me com quem andas e te direi quem és”; a posição dos astros determina o destino das pessoas; mulher menstruada não deve tomar banho frio; ingerir sal quando se tem tontura é bom para a pressão; mulher assanhada quem ser estuprada; menino de rua é delinqüente, etc.;

5. não se surpreendem e nem se admiram com a regularidade, constância, repetição e diferença das coisas, mas, ao contrário, a admiração e o espanto se dirigem para o que é imaginado como único, extraordinário, maravilhoso ou miraculoso. Justamente por isso, em nossa sociedade, a propaganda e a moda estão sempre inventando o “extraordinário”, o “nunca visto”;

6. pelo mesmo motivo e não por compreenderem o que seja investigação científica, tendem a identificá-la com a magia, considerando que ambas lidam com o misterioso, o oculto, o incompreensível. Essa imagem da ciência como magia aparece, por exemplo, no cinema, quando os filmes mostram os laboratórios científicos repletos de objetos incompreensíveis, com luzes que acendem e apagam, tubos de onde saem fumaças coloridas, exatamente como são mostradas as cavernas ocultas dos magos. Essa mesma identificação entre ciência e magia aparece num programa da televisão brasileira, o Fantástico, que, como o nome indica, mostra aos telespectadores resultados científicos como se fossem espantosa obra de magia, assim como exibem magos ocultistas como se fossem cientistas;

7. costumam projetar nas coisas ou no mundo sentimentos de angústia e de medo diante do desconhecido. Assim, durante a Idade Média, as pessoas viam o demônio em toda a parte e, hoje, enxergam discos voadores no espaço;

8. por serem subjetivos, generalizadores, expressões de sentimentos de medo e angústia, e de incompreensão quanto ao trabalho científico, nossas certezas cotidianas e o senso comum de nossa sociedade ou de nosso grupo social cristalizam-se em preconceitos com os quais passamos a interpretar toda a realidade que nos cerca e todos os acontecimentos.

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