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Diálogo entre Platão e Aristóteles acerca do Nada

Primeiro um vídeo bem humorado..


Divergência entre amigos…

Aristóteles (384-322 a.C.) foi discípulo de Platão (427-347 a.C.), que foi discípulo de Sócrates (470 a 401 a.C.). Eles fazem parte do período clássico da Filosofia grega da Antiguidade, também conhecido como Período Socrático. Aristóteles freqüentou por 20 anos a Academia de Platão. Enquanto aluno, respeitava o seu mestre, porém divergia muito das suas idéias, afirmando, inclusive, que era amigo de Platão, mas muito mais da verdade.

A divergência entre Platão e Aristóteles estava na Teoria do Conhecimento. Platão – idealista – acreditava que as idéias provinham de um outro mundo, o Mundo das Idéias. Aristóteles – realista – acreditava que as idéias provinham das sensações ou do mundo circundante do aqui e do agora, o conhecimento deveria ser pautado no único mundo existente, a natureza.
E a discussão sobre o Nada…
Para Platão o problema deve ser entendido da seguinte maneira: o Nada não se pode pensar. “Enquanto alguns, como os atomistas, diziam que o nada era fundamental, que ele existia em pé de igualdade com a matéria que o preenche, outros, como Parmênides e Aristóteles, desprezavam o nada. Para eles, o cosmo deveria ser ‘pleno’, cheio de uma substância etérea e imponderável.” (Marcelo Gleiser)

Para terminar…
Nada do que foi será/De novo do jeito que já foi um dia/Tudo passa/Tudo sempre passará… (Lulu Santos)
Se alguma coisa foi, porque é que não é? Ser não é ser? ( Fernando Pessoa)

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mar
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Atividade 2: O Mito da Caverna
A Alegoria (Mito) da Caverna de Platão

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. As suas pernas e os seus pescoços estão acorrentados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo a que se possa, na semi-obscuridade, ver o que se passa no interior.

A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguido um muro, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetas. Ao longo desse muro/palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.

Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros vêem na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como nunca viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que vêem porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, pergunta Platão, se alguém libertasse um dos prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, o muro, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, por ele seguiria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira no mundo verdadeiro é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, veria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projectadas no fundo da caverna) e que somente agora está a contemplar a própria realidade.

Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros tentariam ridicularizá-lo, não acreditariam nas suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com os seus gracejos, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.

O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das ideias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A interrogação. O que é a visão do mundo real iluminado? A filosofia. Por que é que os prisioneiros ridicularizam, espancam e matam o filósofo (Platão está a referir-se à condenação de Sócrates à morte pela assembleia ateniense?)? Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.
(Marilena Chaui)

Atividades

1. Cite três argumentos presentes no texto que justifiquem o surgimento/origem da filosofia.

2. No texto é citado que a caverna representa o mundo em que vivemos. Você concorda com essa afirmação? Justifique a sua resposta, contrapondo com as idéias sustentadas no texto.

* Atividade adaptada do Livro Convite à Filosofia e site http://filosofia.platanoeditora.pt/

Data limite da postagem: 24 de março

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